Mostrando postagens com marcador Agricultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Agricultura. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Setor de drones já fatura 25% só com a agricultura



Drones permitem aumentar a produtividade e cortar custos na lavoura.


Produtores agropecuários são conhecidos pelo conservadorismo na hora de gerir os negócios, mas os ganhos de produtividade e a economia proporcionada pelos drones nas lavouras têm levado o setor a empregar mais a tecnologia.
A agropecuária já é responsável por 25% do faturamento global da indústria dos veículos aéreos não tripulados ou vants, estimado em US$ 127 bilhões, segundo o diretor da MundoGeo – empresa promotora da principal feira de drones do País, a DroneShow -, Emerson Zanon, com base em dados da consultoria PWC.
Em um país com forte vocação agrícola como o Brasil, uma das principais fabricantes do equipamento, a XMobots, tem 80% de sua receita proveniente de vendas para o mercado agropecuário.

“O setor de drones poderia estar deslanchando mais, não fosse a crise. Este ano vamos crescer menos ante anos anteriores, mas a receita com todos os setores deve aumentar de 55% a 60%”, disse a diretora comercial da empresa, Thatiana Miloso, ao Broadcast Agro, sistema de notícias do agronegócio em tempo real do Grupo Estado.
Desde 2012, a XMobots vinha dobrando a receita anual. Em 2016, o faturamento deve alcançar R$ 9 milhões.
O interesse crescente de produtores rurais pela tecnologia se explica pela influência positiva em dois fatores essenciais para a atividade: produtividade e custo.
O produtor Diogo de Toledo Lara Neto usa drones há quase três anos em sua propriedade de 10 mil hectares em Juscimeira, região de Rondonópolis (MT).
Ele contrata os serviços de uma empresa que coordena o sobrevoo dos equipamentos sobre 4 mil hectares de soja, milho e algodão, em dois períodos da safra: no começo e no fim do plantio. O equipamento capta imagens que permitem conferir in loco quais áreas têm doenças ou pragas.
“Antes, quando detectávamos o problema já era tarde, pois para percorrer mil hectares um funcionário demorava dois dias. Já o drone mapeia essa mesma área em duas horas”, disse Lara Neto.
O produtor diz que desde que começou a usar drones o custo com fertilizantes, correção de solo e defensivos caiu 6%. Já a produtividade em alguns talhões aumentou 16% e pode chegar a 20%.
“Monitorar uma lavoura de 4 mil hectares não é brincadeira. Se eu considerar uma safra nessa área e o investimento no serviço com drones, a economia paga o que eu gasto e ainda sobra dinheiro.” Ele gasta com o serviço em torno de R$ 80 por hectare.

Pequenos e médios

A Geosan, que presta serviços como o usado por Lara Neto, notou em 2016 o crescente interesse de grandes produtores e também de pequenos e médios, especialmente de cooperativas de café e citros.
Thatiana, da XMobots, diz que em 2015 não fechou nenhum negócio com esses setores. Neste, foram três contratos.
Já grandes grupos produtores do Centro-Oeste, detentores de propriedades com lavouras de milhares de hectares, começam a investir em uma frota própria de vants.
“Recentemente, um cliente fez um orçamento para dez aeronaves”, contou o diretor da Geosan, Nilton Carneiro Santiago.
A XMobots trabalha em um modelo de drone helicóptero, no formato da aeronave mas bem menor que ela, dotado de uma bateria com maior autonomia de voo e que permite carregar um reservatório de defensivo para aplicação do produto em áreas identificadas com falhas e pragas.
Lavoura de café em áreas montanhosas, onde a aplicação de defensivos ainda é feita por funcionários, é um dos segmentos que poderão se beneficiar da novidade.
A previsão é a de que o produto seja apresentado ao mercado no começo do ano que vem.

Imagens automáticas

Já a Embrapa trabalha em parceria com a Qualcomm, fabricante de processadores para smartphones, no desenvolvimento de uma placa que será embarcada no próprio drone para processar automaticamente as imagens capturadas pela aeronave.
Os modelos de drones atuais apenas captam as imagens, que precisam ser transferidas para softwares pesados e computadores mais robustos, o que onera a tecnologia para pequenos e médios produtores.
O primeiro protótipo do produto deve ficar pronto entre março e abril de 2017. O setor agrícola aguarda da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) novas regras para uso comercial de drones.
“Quando isso acontecer, acreditamos que a demanda vai explodir”, disse o pesquisador da Embrapa Instrumentação, Lúcio André de Castro Jorge.

sábado, 14 de maio de 2016

Drones que voam por até 8 horas modernizam fazendas

Xmobots: drone da empresa pode voar por até 8 horas.

Usar aviões para mapear e monitorar fazendas já é coisa do passado. Ao menos, é o que desejam as empresa que já têm serviços com drones voltados para a agricultura. Na Drone Show Latin America 2016, companhias como a SantosLab e a Xmobots apresentaram aparelhos que ajudam a tomar conta de plantações. 
O destaque da feira, que acontece no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, é o Nauru 500B. O produto tem autonomia de voo de 8 horas e foi criado para o monitoramento de grandes áreas acima de 200 km².  
O drone é capaz de realizar tarefas como sobrevoar fazendas de grande porte, linhas de transmissão de energia ou até mesmo fiscalizar rodovias e fronteiras. Para realizar esse serviço, o Nauru tem uma câmera de 36 MP.   
O preço, entretanto, é alto. Segundo a Xmobots, o Nauru sai por valores a partir de 200 mil reais, dependendo dos itens adicionais que o comprador quiser, como, por exemplo, uma bateria extra. 
Já a Santos Labs conta com os drones chamados Carcará II e Carcará III, que são voltados para o mapeamento aéreo de regiões rurais e urbanas.  O primeiro se destaca por contar com uma versão que funciona com a ajuda de energia solar, resistência à água e autonomia de voo de 2 horas; enquanto o segundo tem alta velocidade de deslocamento (150 km/h), consegue voar por até 5 horas e pode ser equipado com lasers.  
Além das empresas que entraram no setor de drones com o hardware, há quem tenha apostado no segmento com software. Esse é o caso da Esri, cuja distribuidora do Brasil é a Imagem. Essa companhia conta com programas para computador que podem analisar as imagens captadas pelos drones, com o intuito de tirar dados de inteligência a partir deles. 
Divulgação/Esri/Imagem
Drone2Map, software da Esri Imagem
Drone2Map: software analisa imagens feitas por drones
Os algoritmos do programa, chamado Drone2Map, identificam a altura, cor e forma dos objetos fotografados para identificar cada um deles. Com isso, é possível gerar imagens tridimensionais ou mesmo mapas de calor de uma região em um dia de trabalho.  
Para os entusiastas, a Drone Show Latin America 2016 contou com a presença do drone Phantom 4, da DJI. Ele é capaz de filmar com sua câmera embutida em alta resolução, desviar de obstáculos e até mesmo seguir pessoas.  
Divulgação/DJI
Drone DJI Phantom 4
Mas a diversão tem tempo limitado. Diferentemente dos drones comerciais, esse produto recreativo só consegue permanecer no ar por cerca de meia hora. No entanto, vale notar que os aparelhos usados em fazendas e linhas de transmissão de energia muitas vezes não utilizam somente baterias de íons de lítio para funcionar, o que prolonga a autonomia e encarece o uso.  
Assim como no setor agrícola, o valor do drone doméstico não é baixo. O preço do DJI Phantom 4 é de 9 mil reais.

Regulamentação

Com a regulamentação devida do uso comercial de drones, poderemos começar a ver esses pequenos Vants realizando entregas de compras, como almejam tanto a Amazon quanto o Google. 
No fim do ano passado, foi divulgada a primeira proposta de norma para regulamentar o uso de Aeronaves Remotamente Pilotadas, assim como aeromodelos pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). No entanto, mesmo com o setor de drones ansioso, a legislação ainda não avançou devido à sua complexidade. 
"Há uma análise do impacto dos drones para a navegação aérea já existente. O que você priorizaria: uma aeronave de 2 kgs, que faz filmagens e não tem ninguém a bordo, ou uma de algumas toneladas com 200 vidas a bordo? A intenção é sempre promover a segurança do espaço aéreo, assim como a das pessoas e patrimônios no solo", afirmou o Capitão Leonardo Haberfeld, chefe da seção de operações militares do subdepartamento de operações do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo).  
Haberfeld ressalta que até mesmo aves de pequeno porte podem causar dados a aeronaves que transportam passageiros, portanto, um drone, que tem um corpo mais rígido, é potencialmente perigoso. Ele conta que ainda não aconteceu uma colisão, mas um drone já vou visto perto de um aeroporto.  
A Anac também trabalha na regulamentação dos drones no Brasil e esclarece que há diferença importante entre o drone doméstico e o comercial. "A pessoa tem um controle maior da operação do drone recreativo, normalmente, o voo é em áreas apropriadas. No uso não recreativo, estamos falando de uma pessoa vendendo para a outra. Por isso, os critérios técnicos precisam ser mais apurados para garantir que os drones operem em segurança", declarou Roberto Honorato, gerente Técnico do processo normativo da Anac.  
A agência estima que uma regulamentação mais clara e apurada para os drones saia até julho deste ano.  
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...